Por Marcus Thulio Teixeira e Otto Vitarelli
Pesquisa sobre bio-óleo, realizada na Universidade Federal de Viçosa (UFV), promete revolucionar a indústria de combustíveis naturais

Extraídas da madeira ou do caule de plantas, as fibras florestais são um conjunto de fibras de carbono que servem como matéria-prima para celulose, papel, embalagens e biocombustíveis. Na Universidade Federal de Viçosas (UFV), pesquisa sobre a produção de bio-óleo a partir de fibras florestais, mais precisamente dos cachos vazios das palmeiras, promete movimentar o mercado de biocombustíveis no Brasil. Conforme o coordenador da pesquisa, o professor do Departamento de Engenharia Florestal (DEF), Marcelo Moreira da Costa, a biomassa gerada a partir dos cachos das palmeiras, já utilizados como adubo e combustível para caldeiras, resulta em um produto sustentável.
A pesquisa já está na fase do estudo de viabilidade, buscando eliminar barreiras tecnológicas no processo de refino, conforme destaca o pesquisador. O custo ainda é alto e a tecnologia utilizada não propicia agilidade ao processo, o que torna o produto pouco competitivo no mercado. A solução é encontrar uma tecnologia de biorrefinaria mais barata e eficiente, o que está sendo trabalhado na pesquisa.
Para além da produção de um biocombustível sustentável, essa pesquisa tem um grande impacto na redução de carbono (CO₂) na atmosfera, pois quando se extrai o bio-óleo dos cachos da palma, o material restante, o biocarbon, é rico em carbono pode atuar como condicionador do solo e sequestrador de carbono atmosférico. Como o Brasil é um país rico nessa biomassa, o processo tem potencial para contribuir com o controle do aquecimento global e ainda gerar créditos de carbono para as empresas envolvidas. A expectativa é que essa pesquisa seja concluída até ano.
A pesquisa do bio-óleo na Universidade Federal de Viçosa, é realizada em parceria com a Embrapii, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, que financia projetos de inovação com recursos não reembolsáveis oriundos do Governo Federal e de empresas da iniciativa privada.
Quando uma empresa externa à Universidade demonstra interesse em investir na pesquisa, ela não financia 100% dos recursos financeiros, então, 50% desse valor são financiados pela Embrapii, compartilhando os riscos dos investimentos com a iniciativa privada. O projeto ainda conta com parcerias estratégicas como a da Agropalma, que fornece os cachos vazios de palmeiras, e a da Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC), responsável pelos catalisadores de zeólitas usados no processo.
Atualmente a Embrapii tem 96 unidades no Brasil e a que se encontra em Viçosa é especializada no estudo das fibras florestais.
“Se tivermos qualquer tecnologia que substitua o diesel, vamos ganhar duas vezes, pois vamos importar menos, além de outras vantagens como produzir biocombustível com madeira, o que é pouco conhecido. É que a madeira não está na cadeia alimentar, diferentemente do milho ou da cana-de-açúcar. Ao produzir álcool com amido de milho ou álcool com sacarose, pode impactar, de alguma forma, na cadeia alimentar, gerando competição na cadeia alimentar, o que não ocorre com a madeira.”
Segundo a International Energy Agency, o Brasil é o 13º país do mundo que mais emite CO2 na atmosfera, sendo responsável por 1,3% do total. A redução desta emissão se torna necessária, pois é um país rico naturalmente e possui uma vasta biodiversidade. A produção de um combustível sustentável, como o que vem sendo pesquisado pelo DEF, na UFV, pode ser revolucionária, trazendo impactos reais para a população brasileira e mundial.
