Aos 100 anos, UFV comemora solidez frente a muitos desafios

Ciência e Tecnologia

A Universidade Federal de Viçosa está entre as melhores universidades do mundo conforme o ranking Global 2000.

Por Ana Luisa Cabral e Daniel Meira

Por trás de artigos, teses e descobertas, a pesquisa na UFV é construída diariamente por estudantes e pesquisadores. Foto: Acervo UFV/DCI.

Mais de 21 mil instituições de ensino superior, distribuídas nos cinco continentes, são avaliadas anualmente pelo ranking Global 2000, do Center for World University Rankings (CWUR). As duas mil melhores instituições, que representam as universidades mais bem avaliadas, são divulgadas e a Universidade Federal de Viçosa é uma delas, ocupando a 1015ª colocação, entre as 4,8%

melhores. Ainda conforme o ranking, cerca de 98% das instituições chinesas melhoraram suas posições, reconfigurando o cenário global do ensino superior, provavelmente em razão do forte investimento em pesquisa, uma vez que o eixo pesquisa científica responde por 40% da metodologia do CWUR.

A pesquisa é um dos pilares das universidades, em conjunto com o ensino e a extensão, e se configura como uma das preocupações da Universidade, que precisa de recursos para o desenvolvimento de todas as suas atividades. No entanto, os recursos das instituições públicas de ensino superior têm sido reduzidos ano a ano e, para continuar avançando, segundo o pró- Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFV, professor Raul Narciso Guedes, “precisamos de recursos financeiros e também das pessoas, que são o ingrediente mais importante. Precisamos atrair e manter profissionais qualificados, capazes de construir relações de confiança e produzir conhecimento de qualidade”, ressalta.

Na UFV, a pesquisa faz parte do DNA da instituição, onde ocorreu a defesa da primeira tese de doutorado, em Ciências Agrárias, no Brasil, em 1961, sob a orientação do então professor Flávio D’Araújo Couto. Hoje, são quase 70 programas de pós-graduação nos três campi (Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba) e, desses, 43 são avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) sendo 70% deles classificados como de excelência nacional (conceito 5) ou de excelência internacional (conceitos 6 e 7) na última avaliação quadrienal.

Representantes da UFV em atividade acadêmica internacional, reforçando a inserção da universidade em redes globais de pesquisa. Foto: Acervo pessoal – Raul Narciso.

Segundo o pró-reitor, muitas das contribuições da Universidade estão ligadas à busca por soluções para desafios enfrentados pelo país. Um exemplo está nos estudos voltados para a produção animal, setor em que a UFV ajudou a impulsionar avanços que colocaram o Brasil entre os maiores produtores mundiais. Conforme conta, “na década de 1980, o Brasil precisava importar matrizes para a produção de carne de frango. Hoje, é um dos maiores produtores mundiais. O desenvolvimento de tecnologias e a aplicação do melhoramento genético em aves e suínos tiveram um impacto significativo nesse processo”, destaca.

No entanto, a atuação da Universidade, apesar de ser muito forte na área das Ciências Agrárias, não se limita a ela, com suas pesquisas contribuindo para o desenvolvimento de estudos relacionados à sustentabilidade, inovação tecnológica (como o apresentado em matéria nesta editoria) e avaliação de políticas públicas. De acordo com Raul Narciso, pesquisadores da instituição têm trabalhado na criação de metodologias capazes de monitorar e aperfeiçoar políticas públicas, tema cada vez mais relevante para o desenvolvimento do país. “O Brasil é muito criativo no desenvolvimento de políticas públicas, mas ainda precisa avançar nos processos de avaliação e aprimoramento dessas iniciativas. Esse trabalho tem recebido grande atenção dentro da universidade e conquistado credibilidade”, afirma o pró- reitor.

Ao celebrar seu centenário, conforme Narciso, a UFV reforça o papel da ciência como ferramenta de transformação social e projeta novos desafios para as próximas décadas, mantendo o compromisso com a produção de conhecimento e a formação de pesquisadores capazes de contribuir para o desenvolvimento do Brasil.

Estudantes em atividade prática de laboratório na UFV. A formação de pesquisadores e a produção de conhecimento científico são algumas das marcas que acompanham a trajetória centenária da universidade. Foto: Acervo UFV/DCI.

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