Prática de esporte de areia cresce, mas enfrenta desafios

Esporte e lazer

Esportes de praia como a altinha, que nasceu nas areias do Rio de Janeiro (RJ), na década de 1960, fazem parte da cultura brasileira. Sem necessidade de estrutura formal ou equipamentos caros, as pessoas só precisam de uma bola e da participação coletiva para a altinha, que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro em 2020.

Ana Luiza Oliveira Gomes
Wallace Dias

Apesar da origem litorânea, os esportes de praia têm se difundido pelo interior do Brasil, com a criação de quadras e arenas de areia em estados como Minas Gerais. Para o ex-jogador de futebol profissional e proprietário da Arena Off Beach na cidade de Viçosa (MG), Denilson Souza, a criação de arenas estruturadas tem sido fundamental para viabilizar a prática em cidades do interior, ampliando o acesso da população a essas modalidades. Na opinião do ex-praticante de altinha, que cresceu nas praias de Guarapari (ES), mas hoje vive nas quadras de areia de Viçosa (MG), João Victor Ferreira, a migração do esporte das praias para arenas particulares introduziu novos elementos à prática, como maior organização e, em alguns casos, aumento da competitividade.


“Hoje a gente vê muito o futevôlei nas quadras de areia, em cidades por todo lado. A essência continua, mas existe um pouco mais de competitividade”, destaca João Victor

O crescimento dos esportes de areia em cidades do interior reflete uma combinação entre a expansão de espaços urbanos e o interesse crescente da população por práticas ao ar livre. E, fora das praias, o acesso enfrenta dificuldades como os custos elevados, carência de infraestrutura pública e a escassez de espaços gratuitos para a prática esportiva. A predominância de quadras e arenas em espaços privados levanta questionamentos sobre o nível de democratização dessas modalidades. Para o estudante de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa, Marcelo Junior Tomaz, os custos ainda são um dos principais obstáculos para a adesão aos esportes de areia, especialmente o beach tennis. Natural do estado de São Paulo e com vivência no litoral, ele afirma que os valores elevados acabam afastando parte dos interessados. Apesar disso, Tomaz destaca os benefícios da prática em ambientes de areia, principalmente para a qualidade de vida. Além dos ganhos físicos, o esporte também favorece a socialização, com a possibilidade de conhecer novas pessoas em espaços como praias e quadras, destaca.

Prática de futevôlei na arena Pé na Areia Beach, em Ervália (MG), reflete a expansão dos esportes de areia pelas cidades do interior.
Foto: Vitória Machado

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