Criado pelo Banco Central do Brasil, o Pix populariza pagamentos instantâneos, transforma o consumo e coloca o Brasil como referência global.
Kamilly Pires
Matheus Santiago
Desde o lançamento, em 2020, o Pix deixou de ser apenas uma inovação tecnológica e passou a integrar a rotina financeira dos brasileiros. Criado pelo Banco Central do Brasil, o Pix se destaca no cenário global por reunir, em uma única infraestrutura pública, características que raramente aparecem juntas: transferências instantâneas e gratuitas, 24 horas por dia, experiência padronizada, uso massivo em escala nacional e em diferentes contextos, do comércio formal às feiras livres.
Segundo o gerente do Banco Cooperativo Sicoob, Juliano Morais, o Pix tradicional não gera endividamento, pois utiliza o saldo disponível. No entanto, a expansão do Pix parcelado exige atenção. “Ele amplia o acesso ao crédito, mas pode levar ao acúmulo de dívidas quando utilizado sem planejamento”, afirma. A modalidade também intensifica a concorrência com o cartão de crédito, ao oferecer menores custos para os comerciantes e maior agilidade nas transações.

Foto: Matheus Santiago
De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, realizada em 2024, há diferenças regionais na adesão ao Pix. O Distrito Federal lidera com 77,9% de adesão, enquanto o Piauí registra 54,7%. Contudo, a pesquisa revela um dado curioso: nas regiões com menor renda, como o Norte e o Nordeste, quem utiliza o sistema o faz com muito mais frequência. O Amazonas, por exemplo, lidera o ranking de transações mensais por usuário, o que reforça como a ferramenta se tornou essencial para o consumo cotidiano de valores menores, substituindo o dinheiro vivo.

Infográfico: Luis Fernando Reis
Feiras
O Pix alterou a maneira como os brasileiros lidam com o dinheiro no dia a dia e hoje está presente desde o comércio formal até as feiras livres, onde o impacto é direto. Conforme a coordenadora da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), Bianca Lima, a ferramenta facilita a vida de pequenos produtores o que, ressalta, aproxima consumidor e feirante.
A feirante Carla Francisco Pereira, que participa do Quintal Solidário, a Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária, em Viçosa (MG), destaca a praticidade, principalmente porque dispensa a necessidade de troco. Apesar da facilidade, problemas de conexão com a internet ainda dificultam o uso em momentos de maior movimento.

Foto: Matheus Santiago
Desafios
Com a popularização do sistema, cresceram também os desafios relacionados à segurança. Golpes, falsos comprovantes e desinformação circulam com frequência, exigindo atenção redobrada dos usuários. De acordo com o gerente da Sicoob, Juliano Morais, um dos maiores mitos atuais é a cobrança de impostos sobre as transferências. Ele esclarece que transações comuns para pessoas físicas não são tributadas; o que ocorre é a fiscalização de movimentações que sejam incompatíveis com a renda declarada.
Mais do que uma ferramenta de pagamento, o Pix se tornou um retrato das transformações no consumo e na relação com o dinheiro: rápido, acessível e cada vez mais presente no cotidiano.

Foto: Acervo Sicoob
