Por Ana Clara Araújo e Milena Miranda
Segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024/Ano 3, os agricultores familiares produzem os alimentos saudáveis que chegam na mesa da maioria da população brasileira. Os dados apontam que, se esse segmento formasse um país, ele ocuparia a oitava posição entre os maiores produtores de alimentos do mundo. O setor também responde por 23% do valor bruto da produção agropecuária e concentra 67% dos trabalhadores no campo, contribuindo para a geração de renda e para a preservação ambiental do país.

Segundo a professora do Departamento de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Bianca Aparecida Lima Costa, a relevância da agricultura familiar vai além da produção de alimentos. “Ela tem uma relação muito forte com a vida no campo, sendo essencial tanto para alimentar a população quanto para manter viva a dinâmica rural.
As feiras municipais, por exemplo, estão diretamente relacionadas à agricultura familiar e atuam como espaços relevantes de comercialização para pequenos produtores, ampliando a renda das famílias rurais. Além disso, aproximam agricultores e consumidores e incentivam a circulação de alimentos da própria região.
Segundo Bianca Costa, elas ainda fortalecem a agricultura familiar, promovem o acesso da população a produtos saudáveis, fundamentais para a segurança nutricional, e estimulam o desenvolvimento sustentável. Entretanto, as feiras sempre apresentam certa imprevisibilidade e diversos desafios ainda são enfrentados pelos pequenos e autônomos produtores, como a infraestrutura e a logística, um dos maiores problemas.
“Muitas produtoras vivem em comunidades rurais distantes e não têm transporte adequado para trazer os alimentos até a cidade. Então não adianta produzir se não existe apoio para o escoamento da produção. Também falta incentivo ao consumo dos alimentos produzidos localmente’’, afirma a vereadora de Viçosa (MG), Jamille Gomes (PT).
Mesmo diante dessas dificuldades, as feiras municipais continuam sendo fundamentais para aproximar produtores e consumidores nas cidades do interior do Brasil. Esses espaços fortalecem a circulação econômica no município, incentivam práticas sustentáveis e mantêm viva a tradição do trabalho rural na região.

“O papel dos produtores para a cidade é importante, pois além de oferecer um produto mais saudável sem agrotóxicos, os valores também são mais baratos que os de mercado”, destaca o feirante de Viçosa (MG), João Paulo da Silva.
Entre desafios de escoamento, infraestrutura e valorização da produção local, as feiras seguem resistindo como espaços de sustento, tradição e acesso a alimentos mais saudáveis. Assim, produtores e feirantes mantêm viva uma atividade fundamental para a economia local e para a segurança alimentar da população.
